No mundo linkado em que vivemos, a análise dos fatos vividos e ouvidos requer do profissional a capacidade de enxergar os prós e contras de cada ação. Na área de comunicação, essa proximidade parece ainda mais intensa, embora muitas vezes não consigamos notá-la.
Recentemente, ouvi de um colega que a redação do jornal em que atua se preocupara com a constante repetição de entrevistados. Os jornalistas decidiram então adotar uma regra: se numa determinada matéria sobre Economia ouviu-se o profissional X, na matéria seguinte de economia opinará o especialista Y, depois Z, entre outros.
Somente após um tempo é que X voltará a ser consultado em reportagens.
A decisão, apoiada pela direção da empresa de comunicação, tem como um dos objetivos ampliar o espaço para o debate de idéias, a partir da pluralidade de pensamentos.
MUDAR O MUNDO
Também tive a oportunidade de ler, na semana passada, a manifestação de uma colega do interior paulista hoje radicada em São Paulo. A colega colocou no Facebook texto em que dizia da sua felicidade de poder atuar em uma empresa da área de saneamento, setor que, segundo ela, vive um dilema: “não tem o menor charme, mas é um dos mais importantes para o desenvolvimento do nosso país”.
E completa: “O sonho da jovem jornalista de poder mudar o mundo por meio da informação virou realidade na comunicação de um tema apaixonante: o saneamento”.
Tais demonstrações nos dois lados do balcão, redação e assessoria de imprensa, mostram que nem tudo está perdido. Muitas vezes impulsionada pela própria visão negativista manifestada por setores da imprensa, ao lado da visão distorcida de alguns assessores que não enxergam espaço na mídia para encaixar pautas de relevância social de seus clientes, a comunicação vira um campo de batalha.
Em seu livro “Comunicação Corporativa: gestão, imagem e posicionamento”, publicado no ano passado, Maristella Mafei e Valdete Cecato chamam a atenção que o tema “sustentabilidade” requer a aplicação do triple bottom line, formado pelas dimensões econômica, social e ambiental.
Na econômica, as jornalistas apontam a relação com os resultados da empresa, suas práticas tributárias, entre outros temas. A dimensão social aborda pautas como o fim do trabalho infantil, respeito aos direitos humanos, ética nos negócios. E a ambiental requer cuidados no uso de recursos como água e energia elétrica, o reaproveitamento de materiais recicláveis etc.
Quando aplicado esse tripé, segundo Mafei e Cecato, a evolução dos negócios vai além dos espaços físicos e de mercado.
“ORGULHO DO QUE FAZEMOS”
O ensinamento vale para a área de Comunicação como um todo. Paulo Nassar e Ruben Figueiredo lembram, no livro “O que é Comunicação Empresarial”, o plano da Rhodia, que em 1985 revolucionou a área da comunicação. Um dos impulsionadores do plano era o mote: “temos orgulho do que estamos fazendo e não há por que esconder o que fazemos”.
Resumo da ópera: ainda há espaço para quem quer atuar em favor de um mundo melhor. A empresa que enxerga além de seus muros contribui para uma sociedade mais justa. O jornalista que coloca à disposição da sociedade várias vertentes de uma questão também auxilia na busca de melhorias sociais, econômicas e ambientais.
É uma avaliação que merece ser exercitada diariamente, nas redações e nas assessorias.